Terça-feira, 14 de Julho de 2009






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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009



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Litoral sul - Peruíbe
(clique nas imagens para ampliar)

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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

ASSIM, SIMPLES, SORRIA!


Um campo imenso e as canas cortadas, alinhadas, em ordem, dispostas no chão duro de terra batida como se fosse um colchão. Foi ali que acordei. Eu estava bem no meio e conseguia ver com perfeição os dois lados daquele terreno. Tenho certeza que antes de adormecer havia duas, três pessoas distantes de mim. Havia sim. Mas agora que me levanto não há mais ninguém. È possível sentir todos os cheiros, é intenso, mesmo estando atordoado, atrapalhado, sem saber direito como fui parar ali. Estava acordado, havia dor no corpo daquelas dores de quem dorme demais ou dorme de menos, mas a grandeza daquele espaço me entorpece de novo. Lá parecem duas traves de futebol. Estão dispostas assim. Tento ficar de pé, o corpo está mole, fraco, melhor se sentar. Cadê todo mundo? As cores são fortes também. Vibrantes. O verde da cana não é um verde comum. O azul do céu daquele jeito eu nunca tinha visto antes. E até aquele branco daquela nuvem estranha olhando para mim era novidade. Não penso em fugir. Talvez alguém venha me pegar. Quem sou eu mesmo? A moleza do corpo dá vontade de nanar mais um pouquinho. È sim, só mais um pouquinho. Eu vou deitar só mais um minutinho. Cheiros, cores, tudo intenso, do jeito que tem que ser. Uma luz então não sei de onde, milésimos de segundos antes de fechar meus olhos para descansar, começa a preencher todo o cenário. Ela engole tudo, toma tudo, todos os espaços, as traves, o céu, aquela nuvem e chega até a mim...

...

Vem papai, hora de acordar, não há mais dor no corpo, nem raiva no coração, vem papai, tenho muita coisa pra te mostrar...

Assim tudo começa de novo. Ela pequeninha, de vestido branco, cabelo castanho do pai, a testa sem dodói, leva ele lá longe.

Mãos dadas.

Ela segura ele segura ela.

Não dá para ouvir o que conversam, mas eu sei que agora tudo vai ser diferente.

Domingo, 14 de Junho de 2009

DIVAGAÇÔES A RESPEITO
DAS PEQUENAS COISAS DA VIDA



A água caía no corpo. Cada pedaço dele procurava abrigo no chuaaaa quente que vinha de cima. Tanta coisa na cabeça e ele só deu conta da existência daquele troço logo depois do pensamento fugaz “vou depilar meu peito”! Ele olha para baixo e analisa aquela coisa pequena, enrugada e, por que não, desconhecida. “E aí, faz tempo que você não dá as caras!” Claro que ele não fala com partes do corpo. Isso seria ridículo. Mas nesses minutos em que o banho o aquecia tudo pode ser relevado. Faça de conta, então, que houve um monólogo. Afinal, aquela parte feia, sem graça e desnecessária jamais responderia.

“E aí, faz tempo que você não dá as caras!”
“Caramba, cinco dias e nem pra dizer um oi, sabe! Peso morto total! O que tá acontecendo?
“Ah sim. Sei que tomei remédios demais. Mistureba total. Xarope, antitérmico, antigripal (e a dúvida sobre os hífens ainda o acompanha enquanto a água cai). Essa febre também não pode deixar nada de pé, não é mesmo? Sem falar no frio, né?”
“Mas, então, aparece aí. Já me sinto um pouco melhor. Pelo menos agora. Hum. Ok. Não vai aparecer mesmo!”
“Isso já é efeito da idade, então? Hum. Mas nem sou tão velho assim. Ou sou e não me dei conta?”
“Eu até tentei cuidar direito de você. Mesmo sozinho.”

Ele segura o negócio na mão
Até sinto pena deles.
Se encaram e nada dizem.
Sem vida.

De madrugada, o pequeno aparece se divertindo num sonho,

mas...


... o homem esquece de lembrar que ainda está inteiro quando o despertador o desperta...

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

MANHÃ DE SÁBADO

Uai, o que foi menino? Por que acordou tão cedo? O que faz aí no canto? Vem pra cá com o pai! Os desenhos já vão começar. Filho? Eita, por que tá chorando?
Fiz xixi na cama. Não consegui segurar. Não deu tempo de ir ... banheiro.
Ah, Léo, relaxa, poxa vida. Acontece. Vem aqui, bonitinho, dá beijão no pai.
Smack.
Vem no colo, vamos tomar um banhão da semana. O sábado ta lindo. Céu azulzinho. Vem.
Você não vai brigar?
Por quê?
A mãe do meu amiguinho da escola coloca ele de castigo quando faz isso na cama.
Hum, você quer que eu brigue com você?
Aiaiai, pára de chorar, moleque (risos). O pai vai te dar um banho bem gostoso. Usar o shampoo de menina que a gente comprou errado. Ah, é de menina, mas é cheiroso, né? E você, como é o meu bebê, vai ficar bem cheiroso.
Pai, eu não sou mais bebê, sou quase homem, tenho cinco anos.
Hum, olha só, então logo logo você que vai me levar no colo para dar banho depois que eu fizer xixi na cama (risos).
Não dá pai, você é muito grande e forte ..
Ah, a ingenuidade da criança...
Que, pai? Não entendi...
Nada, bonitão. Ta quentinha a água? Fica aí um pouquinho. Vou tirar o lençol da sua cama e por o colchão para secar. Depois a gente põe talco nele e fica cheiroso de novo.
Será, pai?
Não sei não. Isso sua mãe não me ensinou. Mas vai ficar cheiroso sim. Relaxa.
Ta.
...
Viu, menino. Arrumamos tudo, você ta bonitão e ainda seus desenhos nem começaram. Olha só!
Obrigado, pai...
De nada, filho...
O pai já fez xixi nas calças na escola uma vez. Tinha sua idade. Nossa que vergonha.
Sério, pai?
Hanhan, então você não precisa chorar. Foi um acidente. Acidentes acontecem. Tá bom?
Pai?
Oi, fala...

Hum...que abraço gostoso... não preciso de mais nada para viver depois desse abração do meu moleque... humm, sabe o que vou fazer agora? Olha a garra, olha a garra, como ela é grande, ohhh não controlo mais..ela vai te pegar e vai fazer muitas coceguinhas.....

Hahahahahahaha, pára Pai, hahahahahahaha,

Ta, eu paro. Olha a garra hahahaha corre moleque............

Domingo, 7 de Junho de 2009



reprodução by câmera digital de celular

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009



Esse que vos escreve foi entrevistado pelo Globo.com para falar do craque Friedenreich e da conquista brasileira no sul-americano de 1919. A reportagem foi publicada no dia 29.5.2009 e você pode vê-la completa no link abaixo:

  • entrevista GLOBO.COM
  • Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

    FLORBELA

    Ele decidiu que não passaria dessa noite. “Sei lá”, pensa. Deixou o banheiro limpo. Trocou o lençol e o pijama. Fez a barba. Viu os emails uma última vez. De verdade, esse cara nunca quis passar por isso, mas o tempo passou demais como sempre passa. Então, se viu ali naquela casa dos fundos com as paredes da cor que ele não escolheu. A semana detonou suas costas, de novo. “Idade dos infernos”, pensa. Tem pensado tanto esse homem. Por anos, sentiu raiva, inveja de tudo, das pessoas, das coisas, não queria sentir, ele se achava uma boa pessoa, no entanto, só essas coisas surgiam além do cansaço. Aí ele falava alto, batia portas, batias nas sombras, depois não gritava mais, não batia em nada, se recolhia em si mesmo.

    Esse cara tem pensado muito e percebeu que de fato sempre foi assim. Um cara estranho, intenso demais para uma época que não quer isso ou vice-versa. Ele não sabe se vice-versa tem hífen. Deixa com o tracinho mesmo, tá mais bonito. Faz questão de não mostrar a saída que escolheu até a hora chegar. Já está decidido. Ponto final. Nada na cabeça, apenas um sono gigante, de eternidade, de pra sempre. A televisão ligada num canal qualquer. Controle remoto vira brinquedo em suas mãos pequenas. Muda um canal, aumenta o volume. Não há nada para ver.

    Decide que o momento chegou. Não haverá bilhetes, não há ninguém para lê-los. È difícil pedir ajuda, sabia? Meu, você não tem noção do quanto ele tentou isso em décadas. Ninguém nunca notou nada. Olha que bacana quatro palavras na outra frase que começam com N.

    O momento chegou. O rapaz tem tempo de pensar que tentou ou fez o melhor que pode. “Sei lá”. Se vira de bruços, com a cabeça de lado no travesseiro. Vê as sombras na parede. Sem óculos, não consegue distinguir o que vê. Telefone toca e interrompe a cena final. Toca duas, três vezes, antes dele encontrá-lo.

    “Alô”
    “A Leonor ta aí?”
    “Não tem nenhuma Leonor aqui!”
    “Como não? Eu preciso urgente falar com a Leonor! Me chama a Leonor!!!!”
    “Não tem nenhuma Leonor aqui. O senhor está ligando pro número errado...”
    “Mas que diacho, aí não é 3374-3650?”
    “Não, moço, é 3774-3650
    “Então, foi o que eu disse!”
    “Foi não!”
    “Me chama a Leonor, por favor!”
    “Não tem nenhuma Leonor aqui...Aliás, daqui a pouco, não terá ninguém...”

    O cara desliga o telefone. Precisa, de fato, dormir. Ainda é cedo, mas precisa dormir, de fato. Dormir um pouco, três horas sem sobressaltos ou sonhos ruins...

    Vira de bruços, a cama toda dele, só um canto dela serve.

    “Poxa, ele encontrou a Leonor?”

    È só no que pensa antes de tudo acabar.

    Segunda-feira, 11 de Maio de 2009



    Então, a canção começa...
    Há um mês e tantos dias, INTENSIDADE... e nada mais para ser dito

    Sábado, 9 de Maio de 2009

    CIDADE está sendo publicada no blog novamente, abaixo, mas desta vez em preto e branco como ensaio para um projeto.
    HQ - CIDADE

    Texto: Ale da Costa
    Arte: Licida Vidal

    (Clique na imagem para ampliar)










    Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

    TODAS AS MARCAS

    Doeu?
    O quê?
    A tatuagem...
    Ah, só dói agora
    Não entendi...
    Ela aqui no braço não me deixa esquecer a tristeza, a mágoa, a raiva...
    Por que você não apaga?
    Não funciona assim comigo...
    Por que você fez isso?
    Pra mostrar que eu era capaz de qualquer coisa
    Deu certo?
    Nunca dá
    Arrependido?
    Nunca me arrependo de nada...
    Apaga ela
    Não... vai ficar aqui como uma cicatriz pra eu nunca mais cometer o erro de arriscar...
    Isso é triste
    È sim...

    Domingo, 3 de Maio de 2009

    um dia de domingo...

    Sábado, 2 de Maio de 2009

    A TIA

    Algo cresce dentro de mim. Mina minhas forças, meus desejos, meu futuro. Ele surgiu do nada como uma maldição de família. Se alojou entre ideias, pensamentos e lá ficou, crescendo, vivendo, sendo parte de mim.

    Minha sentença de morte.

    Não há muito o que se fazer diante de hóspede tão indesejável. Fiz o que pude para mandá-lo embora. Quando os remédios passearam pelo meu sangue, não soube mais o que poderia ser pior. A doença e a cura, ambas, separadas e juntas, me sugavam para o nada. O buraco negro e no espelho, sem meus cabelos, não me reconheço.

    Não há choro.
    Nem nada.

    Não há tristeza, não, não há...

    Deito e espero o fim.

    Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

    RÁPIDO DEMAIS

    A noite anterior tinha sido ruim, coisa que anos depois se tornou comum. Estava inquieto. Acho que o peito doeu pela primeira vez naquela madrugada, algo que também se perpetuou tempos depois. Fico gelado segundos antes das luzes se apagarem. Na época ainda se dava o sinal verde, mas não lembro. Era um menino, apenas. Um acidente faz aquela inquietação aumentar. Lembro das mãos suadas. O coração batia mais acelerado. Uma nova largada com os carros em movimento. Ele está na frente, como me acostumei a ver. O cara ali do capacete amarelo tinha falado tanta merda nas últimas semanas que me deixara de saco cheio. Tudo bem, ídolos também erram. E quando ele acelerava, eu esquecia tudo de ruim. Sorria, comemorava. Acordei todo o prédio numa madrugada de 1988 quando o cara foi campeão do mundo pela primeira vez. Fiquei feliz de verdade. Então, a nova largada, ele em primeiro, a curva, a batida, o irremediável ali na minha frente. A cabeça dele pendeu pro lado, achei que era um bom sinal. O homem que grita quando narra estava em silêncio. A aflição aumentava. Eu negava, inconscientemente, o que via. Já pensava no rapaz do capacete amarelo dando entrevista no hospital. O helicóptero chegou. Levou ele. Eu já sabia que era o fim, mas a ficha não caíra. Um tempo depois, o homem sério da TV falou que o piloto que me deixara puto, que tirava uma sorriso sincero de mim toda manhã de domingo, tinha morrido.

    Sem referências. Sem chão.

    Enlutei. Me entristeci. Não lembro se chorei, acho que sim, mas me calei pela primeira vez. Não fui trabalhar um dia. Não disse nada para ninguém sobre o que sentia naqueles dias. Doeu aquela intensidade toda. E o cara era só uma cara que corria de carros e que eu nem conhecia pessoalmente. Aprendi a ver corrida com ele em 1984. Ele era um moleque metido, arrojado, corajoso e vencedor. Dez anos depois foi embora sem dizer nada...

    Era a segunda morte da minha vida. A primeira tinha sido do meu avô.

    Depois, mulheres que me amaram.

    Meu filho...

    Enfim, há coisas com que não me acostumo...

    Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

    POEIRA

    A ceroula preta esquenta as pernas de um frio que vem de algum lugar que ele desconhece. A ceroula é preta, foi comprada (ou ganha, não se lembra) quando morou fora para suportar o inverno rigoroso. Ajudava debaixo de uma calça jeans velha, surrada. Numa sexta como as outras, a ceroula preta se agarra nas pernas como aquelas calças de ginástica das meninas. Ele gosta dessas calças, aliás, de vê-las com essas calças. È só uma sexta como as outras. A ceroula preta é algo fora de moda, passado, velho, cheira a pó? O avô usava uma, disso ele sabe. Ele se sente o avô agora e não há muito o que se fazer para não se sentir assim...

    Há culpas, culpados, raivas, angústia, incompreensão e total vácuo sobre coisas que ele queria entender. Mas ele não consegue entender nada e por isso se senta à frente do computador e digita coisas sobre uma ceroula velha. O frio que sente, porém, não se vai com artimanhas do tempo do avô. O frio corrói devagar e por tanto tempo. De fato, ele poderia estar em qualquer lugar agora. Com qualquer pessoa. Fazendo qualquer coisa. Ele poderia estar bebendo. Poderia estar no cinema. Poderia jantar com pessoas bacanas. Poderia estar apenas sorrindo de verdade (quando foi isso? Quando? Quando? Quando? Quando?) Então, ele poderia, ele poderia. Poderia...Poderia...Pod... P....

    Ele poderia qualquer coisa, mas decidiu optar pelo nada. Por nada. Por mais uma noite sozinho, sem razão, com paredes de cor que ele não gosta e que não faz força para pintar. Olha para o telefone que não toca e se tocasse ele não iria atender. Abre e fecha o celular por uma mensagem que nunca mais aparecerá. Até musiquinha ele colocou para essa mensagem. Delírios. Às vezes, surgem coisas desse tipo na vida sem graça (diriam todos) que ele escolheu.

    Bom, ele escolheu. Fraco? Covarde? Arrependimentos? Não diria isso. Ele só não consegue mais recomeçar. É simples. Desde que as mortes ao seu redor começaram (e que não acabaram, duas ainda estão ali na espreita para derruba-lo de novo), o homem da ceroula preta (coisa de velho) decidiu pelo simples. Algo, no entanto, não encaixa. Ele está deslocado de tudo, de todos, do momento, da época, das coisas que se apresentam. Olhar para ele é suficiente. Ele não quer toque, não quer suor de outro, não quer nenhum cabelo cheiroso em seu peito no depois...

    Ele pediu ajuda. Do jeito dele. Agora, não mais. Difícil, entender uma cabeça assim que só quer sentir de fato. Não sentir o ruim. Isso ainda está lê dentro dele.

    O menino fecha os olhos (ele gosta dessa frase, já usou tantas vezes, tantas vezes, tantas vezes, assim como as repetições para marcar um método, um estilo, uma incompetência). O céu tem estrelas. Não há o teto de branco gasto agora. Há um céu estrelado. Um avião passa entre elas. Devagarzinho para não machucar nenhuma luzinha. O menino respira fundo. Não dá. Desculpe. Não dá para dizer que amanhã vai ser tudo diferente...

    È só uma sexta-feira como as outras como tem sido há tanto tempo.
    O velho da ceroula preta poderia estar em qualquer lugar.
    Ele decidiu não ir a lugar nenhum...

    O peito dói, aperta, explode, de novo, mas deve ser só um músculo fora do lugar...

    Sábado, 4 de Abril de 2009

    Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

    INSTANTES

    10...
    O ponteiro dos segundos anda lentamente. Sei tudo o que está por vir. E aceito o destino, mesmo não acreditando nele. O peito dói como nunca, mas não é medo do que está ali pronto para acontecer. È uma dor assim, dor que não existe, que incomoda só quando se respira

    9...
    O ar muda. O vento sossega, mas voltará com força daqui a um momento. É possível ainda olhar para as estrelas. Vejo a lua também. Bonita, grande, tão solitária e melancólica. Como a lua se sente ao olhar para a Terra? Penso nisso...

    8...
    Busco vida nesse fim e sentido para um monte de coisas. Não dará tempo, enfim, para achar resposta alguma. Lá no fundo, uma trilha sonora chorosa lamenta denial, denial, denial... Sou espectador de tudo o que eu sabia que aconteceria um dia. Que bom, dessa vez não tive culpa!

    7...
    Fecho os olhos, mas os abro rapidamente. Não quero perder nada. Minha curiosidade, inquietude e teimosia me levaram a esse momento. Eu fui responsável pela minha vida, apesar do destino, três segundos atrás...

    6...
    Só penso na dor que não existe no peito. E no quanto essa dor dificulta a respiração. Todos correm. Pânico. Mas eu não quero correr não. Estou bem aqui. Cansado para fugir. Nunca fugi... não fugirei agora. ..

    5...
    Vejo os quatro cavaleiros. Eles são ferozes, cruéis e devastam tudo. Tudo. O céu agora é vermelho e as estrelas disseram adeus. Tchau, estrelas. A lua, eu acho, só chorou.

    4...
    Toco o braço da tatuagem. Acaricio como se fosse ela. Um toque leve, discreto, ninguém notaria. Um toque só para dizer estou aqui não tenha medo minha mão vai segurar a sua e queira ou não tudo acabará bem não tenha medo menina eu cuido de você agora no fim e no pra sempre que virá depois disso...

    3...
    Fecho os olhos de novo.

    2...
    Abro esses olhos castanhos que já brilharam por coisas tão simples. Meus olhos disseram tudo sempre. Eles nunca mentiram. Nunca. Meus olhos me entregaram e não me importo com isso...

    1 segundo...

    Acabou. A explosão varre tudo e me leva junto. Só pó resta e não sei mais de mim.